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Apólice específica para atletas é lançada no Brasil

Há tempos o Palmeiras não fazia nenhuma contratação importante. Após muito esforço, conseguiu um investidor e, no começo do ano, pagou € 6 milhões (R$ 15 milhões) para repatriar o volante Wesley, que estava no Werder Bremen, da Alemanha. Mas logo na terceira partida o jogador rompeu o ligamento do joelho, o que o deixará afastado do gramado por oito meses. Estima-se que seu salário gire em torno de R$ 400 mil por mês. Resultado: o clube pode chegar a gastar aproximadamente R$ 3 milhões com o jogador parado.

O Palmeiras poderia ter se poupado desse ônus caso o seguro de vida que contrata para os seus jogadores fosse específico para atletas. É este tipo de apólice que finalmente chega ao Brasil. Após um ano de negociações com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Bradesco Seguros conseguiu a aprovação do produto pelo órgão.

Um dos principais diferenciais do produto é a cobertura inédita para incapacidade física temporária por acidente ou doença, que garante o pagamento de indenização correspondente à remuneração do atleta durante o período em que estiver impossibilitado de exercer sua atividade profissional.

Outro ponto relevante em que o seguro tradicional de vida não atende às necessidades dos atletas é no caso de invalidez permanente por acidente ou doença, que obriga o atleta a encerrar sua carreira. Neste caso, o seguro tradicional não paga o valor total da cobertura contratada, mas sim um percentual correspondente ao membro que causou a invalidez, não levando em consideração o impacto da lesão na carreira do atleta. O seguro para atletas lançado agora pela Bradesco Seguros paga o valor integral do capital segurado pela apólice de vida, tendo em vista que o atleta encerraria, no caso, sua carreira de forma abrupta e precoce.

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) contratou o seguro para a equipe brasileira para dois eventos: a Olimpíada de Londres e o campeonato sul-americano de basquete. O Goiás Esporte Clube também adquiriu o seguro para os seus jogadores.

"Além da necessidade grande, há um clima favorável [para a demanda pelo seguro] em função dos grandes eventos esportivos que serão sediados no Brasil, além dos internacionais, como a Olimpíada de Londres", diz Lúcio Flávio de Oliveira, presidente da Bradesco Vida e Previdência, empresa do Grupo Bradesco Seguros.

Exigido pelos clubes na Europa e nos Estados Unidos, a falta de um seguro específico para atletas no Brasil já dificultou, encareceu e até mesmo impediu a participação de jogadores que atuam em clubes no exterior em jogos pela seleção brasileira ou em partidas em clubes locais, em caso de empréstimo de atleta.

O jogador de basquete Leandrinho exemplifica bem o problema. Associado à liga americana, o armador não pôde participar do amistoso contra a Nova Zelândia neste ano enquanto o seguro exigido pela National Basketball Association (NBA) não fosse contratado. A CBB teve de desembolsar US$ 123 mil para contratar seguro individual para o jogador.

O vice-presidente do Palmeiras, Roberto Frizzo, não duvida que o seguro pode ser interessante. "O clube ficaria mais protegido e menos onerado nos pagamentos." Mas pondera: "Você pode até querer uma bolsa Louis Vuitton, mas só vai comprar se ela couber no seu orçamento. Estamos fazendo um orçamento, discutindo preço com o Bradesco", conta Frizzo.

Um seguro específico para atletas era uma demanda antiga dos clubes de futebol cariocas, segundo o diretor-executivo do Botafogo, Sergio Landau. Ele ainda não conhece o seguro da Bradesco, mas também se mostrou preocupado com o preço. "É um seguro muito complicado, pois precisa definir claramente as condições e talvez incluir uma cláusula que limite as perdas da seguradora para tornar o preço pago pelo time [prêmio] menor."

O diretor do Botafogo também considera que fazer um seguro coletivo teria um custo mais vantajoso, pois ajudaria a diluir os riscos para a seguradora. O seguro, porém, também pode ser contratado invidualmente pelo atleta.

O advogado especialista em direito esportivo Rogério Derbly vê benefícios para os jogadores, uma vez que a legislação não obriga os clubes a pagarem a íntegra dos salários dos jogadores fora dos campos por mais de 15 dias. Segundo ele, somente atletas bem colocados conseguem inserir essa cláusula em seus contratos.

A seguradora do Bradesco não foi a primeira a tentar trazer esse tipo de seguro para o Brasil. Pelo menos outras duas empresas tentaram lançar a apólice há alguns anos, mas não conseguiram a aprovação da Susep. Isso porque o órgão exigia que a companhia mostrasse como iria calcular a taxa de risco para cobrar o seguro.

Segundo um executivo que participou do processo na época, a taxa é dada pelo ressegurador, que não abria o cálculo por se tratar de informação estratégica. A Bradesco não quis revelar com qual resseguradora fechou contrato para o produto. A aprovação desse primeiro produto pela Susep agora abre caminho para outras seguradoras.

Fonte: Site Jornal Valor Econômico

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