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Preços caem em seguros de executivos

"Soft". Uma palavra aparentemente inofensiva - quer dizer "macio" em português - vem causando calafrios em algumas seguradoras brasileiras. Soft é o jargão usado para descrever um ciclo de queda de preços de seguros, causado pela baixa frequência de pagamentos de grandes indenizações somada ao excesso de apetite de resseguradores. É este o cenário que enfrentam as seguradoras que atuam no ramo de responsabilidades, em especial os seguros de instituições financeiras e para administradores (D&O, em inglês).

No primeiro trimestre deste ano, tanto no D&O quanto nos seguros para instituições financeiras, as taxas cobradas pelas seguradoras caíram entre 20% a 30%, segundo dados compilados pela corretora de seguros Marsh. Os dois ramos vêm apresentando esse comportamento desde o terceiro trimestre do ano passado, quando a Marsh passou a incluir os dados brasileiros.

"Houve um aumento generalizado na capacidade de absorção de riscos do mercado, que empurrou os preços para baixo", diz Eduardo Marques, diretor técnico da Marsh. "Enquanto houver novas seguradoras entrando no mercado, vai sempre ter alguém mais agressivo, e os preços vão seguir caindo."

Marques conta que no segmento de D&O o número de seguradoras que oferecem o produto pulou de quatro para vinte em um espaço de cinco anos. "Os limites da queda serão os resultados que essas carteiras produzirão para as seguradoras", diz. Uma indenização de porte considerável também poderia segurar a descida dos preços.

Os preços em queda foram um dos componentes do recuo nas receitas das seguradoras com D&O neste ano. Nos três primeiros meses de 2012, o seguro de administradores teve receita 23,2% menor que no mesmo período do ano anterior, somando R$ 43,9 milhões, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Em 2011, o segmento de D&O teve receita de R$ 172,8 milhões, alta de 14,7% na comparação anual.

Um trimestre de queda, contudo, ainda não desanimou a Zurich, uma das líderes desse mercado. Vinicius Jorge, superintendente de linhas financeiras da seguradora, reconhece a existência de uma queda nos preços do segmento, mas acredita que o atraso na renovação de apólices de maior valor também foi importante para o recuo da receita.

Se somarmos ao D&O as linhas de responsabilidade civil profissional e de responsabilidades em geral, também com taxas em queda segundo a Marsh, há um crescimento de 14% no primeiro trimestre, para R$ 272 milhões.

Parte do movimento de quedas nos preços de responsabilidades pode ser atribuído a uma adequação do valor cobrado no Brasil ao patamar internacional, diz Renato Perosa, gerente de linhas financeiras na corretora Aon. Ele afirma, porém, que a queda das taxas brasileiras já foi além da média global; enquanto o padrão internacional fica em 2%, no Brasil já há seguradoras cobrando até 0,9% em uma apólice de D&O.

"Não é só a queda que é um problema, mas a qualidade da taxa. Algumas seguradoras estão dando taxa de companhia fechada para companhia aberta. É surpreendente a diferença entre a maior e a menor taxa na hora de cotar uma proposta", diz. Perosa acredita que o mercado deve se recuperar até o fim do ano, crescendo até 15%, na medida em que a queda nos preços é compensada por apólices de novas empresas seguradas.

Jorge, da Zurich, acredita que o mercado deve deixar de ser "soft" já na segunda metade de 2012. "Podemos não ver uma indenização de grande intensidade, mas temos visto um aumento na frequência de acontecimentos, com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mais ativa nos termos de compromisso com as empresas", diz. Para ele, seguros de responsabilidades mais complexas, caso dos bancos, têm uma pressão significativamente menor nos preços e devem seguir nas mãos das grandes seguradoras.

Fonte: Site Valor Econômico


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