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Mercado tem forte concorrência

Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as grandes obras de infraestrutura ligadas aos eventos esportivos de 2014 e 2016, a exploração do pré-sal e uma classe média emergente - e a expectativa de que passe a consumir seguros nos próximos anos - estão impulsionando o mercado brasileiro de resseguros. E, se os grandes contratos crescem em volume, a concorrência não se mostra menos agressiva. Quatro anos após a quebra de monopólio do setor, mais de cem empresas desembarcaram no Brasil disputando palmo a palmo um mercado que totalizou R$ 5,7 bilhões em prêmios emitidos em 2011, alta de 20% ante o ano anterior, e que prevê crescer a taxas superiores a 15% pelo menos nos próximos cinco anos.

"O Brasil está na moda e as resseguradoras internacionais querem marcar posição, buscando maiores fatias de mercado de maneira bastante agressiva. Os segurados já pagam menos pelos prêmios em diversos produtos e acredito que o mercado continuará concorrido durante um tempo, até se acomodar", diz Paulo Pereira, presidente da Federação Nacional das Empresas de Resseguro (Fenaber).


Mas se por um lado o curto intervalo desde a abertura do mercado, que completa quatro anos em abril, foi marcado pela chegada das maiores empresas do ramo no Brasil, o aumento da concorrência e a consequente queda no preço de alguns produtos, do outro, também envolveu uma série de incertezas e quedas de braço envolvendo empresas e reguladores.

O fim do monopólio do antigo Instituto de Resseguros do Brasil (atual IRB-Brasil Re) foi acompanhado pela tentativa da Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia ligada ao Ministério da Fazenda que regula o mercado segurador brasileiro, em proteger o mercado local, estimulando os grandes grupos internacionais a aplicar investimentos volumosos no país e aumentando a retenção de riscos. "O objetivo da Susep é garantir a higidez da resseguradora e ter certeza de que, em caso de um grande sinistro, ela tenha capacidade de cobertura. Mas o mercado de resseguros é global e os riscos têm de ser pulverizados", diz Mariana Cavalcanti Jardim, do Levy & Salomão Advogados.

Das cerca de cem empresas que atuam no país, dez estão na categoria de resseguradoras locais, empresas estabelecidas no Brasil com capital mínimo de R$ 65 milhões, e o restante como admitidas (escritórios de representação de grupos estrangeiros com capital mínimo de R$ 5 milhões), ou eventuais (não há exigência de capital mínimo, só um cadastro junto à Susep). A tentativa da Susep de privilegiar as empresas locais deu resultado. Dos R$ 5,7 bilhões de prêmios emitidos pelo mercado no ano passado, R$ 3,2 bilhões envolveram operações com as resseguradoras locais.

A forte tentativa de regulação de um mercado cujo princípio é a pulverização dos riscos em escala global levou as empresas a reclamar em uma série de oportunidades - e a conseguir algumas concessões. Pelas regras atuais, dos riscos cedidos pelas seguradoras, 40% têm de ser repassados a resseguradoras locais, a chamada reserva de mercado. Ao mesmo tempo, foi derrubada uma regra impopular que impedia os repasses de riscos nas chamadas cessões intragrupo. Hoje, uma resseguradora local pode retroceder até 20% dos riscos de um contrato para sua matriz no exterior, por exemplo.

Apesar das limitações, as resseguradoras apostaram em um jeitinho brasileiro para se adaptar à legislação

Apesar das limitações, as resseguradoras apostaram em um jeitinho brasileiro para se adaptar às novas legislações. "Uma das estratégias adotadas pelo mercado é a triangulação. Como existe o teto para a retrocessão intragrupo, a resseguradora local "A" repassa os riscos para uma empresa "B" no exterior, que os repassam para a matriz da empresa brasileira "A". Esse tipo de operação não é ilegal e dilui os riscos", avalia Pereira.

As regras mais apertadas não desestimularam a chegada de novos concorrentes. "O mercado se adaptou às regras e o próprio crescimento do setor de resseguros comprova isso. Se levarmos em conta que a Europa não sai da crise pelo menos nos próximos cinco ou seis anos, o mercado brasileiro continuará atrativo e as empresas alocarão capital no país", diz o diretor-geral de grandes riscos da Mapfre, Wady Cury.

Maior estrangeira no Brasil, a Munich Re elevou seu market share de 6%, em 2008 para 20% em 2011, considerando só o segmento das resseguradoras locais - está atrás apenas do IRB-Brasil Re, com 40%. "Em 2011, foram R$ 500 milhões em prêmios emitidos, ante os R$ 320 milhões de 2010, alavancados por obras no setor de engenharia, uma das linhas na qual a empresa é líder no mercado global", diz Adriana Seemann, client manager executive da empresa.

Com pouco mais de um ano de atuação como resseguradora local, a Austral Re aposta na pulverização dos riscos em diversos segmentos de negócios para dobrar seu faturamento em 2012. Sua carteira está dividida no segmento patrimonial (30% dos prêmios), responsabilidade civil (21%) e seguro rural (11%). "Encerramos o ano com prêmios líquidos emitidos de R$ 48 milhões e lucro de R$ 4,8 milhões, o que superou as expectativas, já que trabalhávamos até com a perspectiva de prejuízo", diz Bruno Freire, o diretor-executivo da empresa. A expectativa para este ano é superar os R$ 100 milhões em prêmios emitidos.

Grandes grupos estrangeiros esperam autorização da Susep para operarem como resseguradores locais. Um deles é a Swiss Re, que planeja um aporte de US$ 74 milhões para atuar no Brasil. O outro é a Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), braço de riscos especiais do grupo Allianz que investirá US$ 100 milhões no país.

Autorizada a operar de janeiro, a Zurich Re está de olho em atender as multinacionais brasileiras em suas operações no exterior. O objetivo, com uma operação local, diz o diretor de resseguros, Fernando Zamboim, é atender os negócios da seguradora do grupo. O braço local de resseguros da Zurich, porém, ainda vai esperar um pouco para entrar no mercado.

Fonte: Site Valor Econômico
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